MUSICA

Viúva de Jackson do Pandeiro relembra primeiro encontro, momentos e morte, na Paraíba

Publicada em 20/08/19 as 00:50h por G1 Paraíba // TV Cabo Branco // ForroWeb.com - 46 visualizações


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Neusa Flores carrega na memória muitas histórias, imagens e sensações de quem esteve por muito tempo ao lado do rei do ritmo. Viúva de Jackson do Pandeiro, dona Neusa relembra momentos que viveu com o cantor paraibano. "Agora, no momento, ele está sendo bem lembrado. Eu conheci ele bem, ele estava muito feliz", revela. Em agosto de 2019, é celebrado o centenário de Jackson do Pandeiro. 

Neusa conheceu Jackson, primeiro, pela voz. Aquele tom e o barulho do pandeiro chamavam muito a atenção. Na época, ela não tinha televisão em casa. Mas ouvia o som sair da TV da vizinha. "Meu Deus, quem é esse cantor?", perguntou à vizinha. Ela disse que era um artista que cantava muito bem. Jackson do Pandeiro. Paixão ao primeiro som.

Neusa Flores foi a última esposa de Jackson do Pandeiro — Foto: Reprodução/TV Cabo Branco

"Eu conheci Jackson [pessoalmente] em São Paulo, eu morava lá e ele foi fazer um show numa casa de show que tinha lá. Aí eu fui conhecê-lo, como fã. Me apresentei, disse que era fã e que tinha ido conhecê-lo. Não sabia que no final de tudo ele ia me levar embora", conta dona Neusa.

Conheceram-se e, no dia seguinte, foram embora juntos. Era 29 de maio de 1967. "Aquilo, para mim, eu estava sonhando", declara.

Neusa segura livro sobre Jackson do Pandeiro, escrito por Fernando Moura e Antônio Vicente — Foto: Reprodução/TV Cabo Branco

Mas nem tudo foram flores para Neusa e Jackson. A viúva lembra de um acidente automobilística sofrido pelo cantor. O rei do ritmo quebrou os dois braços e por pouco também não machucou as pernas. "Ficou sem poder trabalhar por muito tempo", conta Neusa, porque não conseguia mais manusear com maestria o pandeiro que caracterizou a sua obra musical.

Por isso, a situação do casal piorava cada dia mais, conforme conta dona Neusa. Houve uma época em que a situação ficou tão difícil que o irmão de Jackson ia até a casa deles entregar uma cesta básica. Juntamente com a baixa venda dos discos, esse foi o pior momento pessoal e artísticos de Jackson.

Jackson do Pandeiro e Luiz Gonzaga — Foto: TV Cabo Branco/Arquivo

O acidente, no entanto, levou ícones da música popular brasileira até a casa de Jackson. Era o encontro do rei do ritmo com o rei do baião. Nunca foram assim tão próximos, mas no momento da dificuldade, Luiz Gonzaga estava lá, dando apoio. E não foi sozinho. Levou a esposa e o filho, na época muito pequeno, Gonzaguinha. "Acho que ele (Luiz Gonzaga) viu uma coisa diferente em Jackson, porque como ele chegou já arrebentando no Rio de Janeiro... O sucesso dele chegou lá antes de Jackson", comenta dona Neusa.

No futebol, era tão múltiplo quanto os ritmos que carregava. Dona Neusa conta que Jackson era um "flamenguista roxo", daqueles fanáticos. Mas em São Paulo torcia para o Corinthians. Na Paraíba, o time que ganhou o coração do rei do ritmo foi o Treze.

Deixando a terra para virar memória

Diabético, Jackson era também muito teimoso. Quando viajavam de carro, dona Neusa levava tudo que ele podia comer, porque se deixasse a cargo dele escolher a alimentação, não obedecia as restrições.

Jackson do Pandeiro, na Paraíba — Foto: Reprodução/TV Cabo Branco

Começou a sentir o peso da carreira, da idade e da doença em um show que fez em Pernambuco, quando passou mal. Mas mesmo assim, seguiu para Brasília, onde tinha mais palcos para subir. "Tudo já fazendo das tripas coração, para mostrar que ele fez", revela Neusa. Quando acabou o show em Brasília, Jackson passou mal no aeroporto e foi internado em um hospital da cidade.

"Até aí eu não sabia de nada. Fiquei o dia todo esperando Jackson. Entrou a noite e não fiquei sabendo de nada, nem pela TV, porque eu estava no portão esperando por ele. Os vizinhos não tiveram coragem de falar", conta.

Desistiu e foi tentar dormir. No meio da noite, o telefone tocou. Era o jornalista Adelzon Alves. "Neusa, sabe alguma coisa de Jackson? Você não está sabendo de nada?", ele disse ao telefone. "Quando falou isso parece que o chão se abriu para mim", declara Neusa.

Sem pensar duas vezes, seguiu para Brasília. Jackson, já sem seu pandeiro, estava na UTI. Depois de alguns dias, ligaram para ela e pediram que fosse até a clínica. "Ele tinha morrido. Desci a escada correndo", relembra. Jackson do Pandeiro tinha 62 anos quando deixou pro país um legado gigantesco e a memória de um artista capaz de unir ritmos com o som do pandeiro. Morreu após uma embolia pulmonar. José Gomes Filho passou a viver na memória da Paraíba e do Brasil e nas muitas regravações que fizeram manter vivo o talento do rei do ritmo.




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